segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


As vezes eu queria sair de mim e entrar no outro completamente.

Fazer-me entender cristal, limpidez, claridade e plenitude.

Comunicação sem ruídos.

Compreensão aberta, absoluta.Total.

Há em mim a consciência do outro.

Há a presença do outro, a atração gravitacional que ele exerce.

Mas não há, lampejante que seja, a sua compreensão.

Não sei nada de qualquer outro.

Tudo o que sei é de mim mesmo.Ainda assim, eu quero o outro.

Desejo alcançá-lo, quero que seja tocado pelo que está fora dele e dentro de mim.

Entender e ser entendido, sem interferências.

Transmitir o que se pensapassa por aqui.Preciso loucamente.

Necessito insólita e insoluvelmente da compreensão profunda e extraordinária.

Quero estar no outro assim como quero que ele esteja em mim.

Quero saber.

Quero conhecer todos os segredos detalhados e subjacentes.

Quero transparências e reflexos, planície e literalidade, sem floreios ou ornatos.

Quero ser claro.Sair de mim e entrar no outro.

Saber o outro como me sei e, sabendo, convencer-me de que não o sou. Atingir e ser atingido.

Quero levar algo mais do que a simples lembrança vaga.

Quero conhecê-lo.

Quero compreender, sem meias palavras, sem arestas, sem dúvidas.

O que é isso de ser uma ilha?Acabar onde acaba a pele.

Cercado de tudo sem que se possa razoavelmente ter contato.

A vida toda passando diante dos olhos e nada.Não fica nada?

Não resta nada de tudo o que houve?

Não é possível que seja só isso. Não é possível que seja tão pouco.

Quero saber de tudo o que não me é dado. Eu quero entender.

Quero compreender o que não cabe em mim. O que esta fora de mim.

Quero trazê-lo para dentro, metabolizar e incorporá-lo.

Eu quero o outro tanto quanto a mim mesmo.

Quero sabê-lo como ele mesmo se sabe e assim como quero que me saiba também.

Sem equívocos.È preciso a plena comunicação.

A total intelecção do que é distante e do que está fora.

É preciso a verdade transparenciosa do pensamento, sem manipulações.

O pensamento limpidamente bruto.

É preciso a rigorosa assimilação, a verdadeira abrangência, a superior percepção.

È preciso o outro que não se contêm e nem será contido, mas que se faz possível de compreender.

É preciso entender antes que seja tarde, antes que o tempo se torne pesado e que já não haja mais oportunidade.

É preciso agora mais do que nunca. É preciso.

Comunicação sem ruídos. Mensagem direta e clara.

Quero comigo o que está fora de mim.

Saber de tudo o que não me é dado.

Eu quero compreender.

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